Criatividade, inovação e competitividade

por Jairo Siqueira · 2 comentários

em Criatividade, Inovação, Liderança

Entrevista sobre criatividade e inovação

Uma conversa sobre os temas criatividade, inovação, competitividade e ambiente corporativo numa entrevista para o site Bolsa de Mulher .

Como se pode definir criatividade no âmbito profissional?

A criatividade pode ser definida como o processo mental de geração de novas idéias por indivíduos ou grupos. Uma nova idéia pode ser um novo produto, uma nova peça de arte, um novo método de trabalho ou a solução de um problema. Não implica necessariamente na criação de algo totalmente novo, pois pode ser também a combinação original de coisas existentes, como juntar num mesmo aparelho o telefone, a câmara fotográfica, o GPS e o MP3.

Quando a criatividade se tornou uma característica valorizada nos profissionais?

O desafio da criatividade não está mais restrito aos departamentos de pesquisa ou às oficinas de inventores solitários. A aceleração das mudanças e o acirramento da competitividade tornam imperativo criar vantagens competitivas em todos os setores da empresa, começando pela engenharia, passando pela produção e, especialmente, no relacionamento com os clientes. Nesta batalha pela sobrevivência, todas as pessoas podem e devem contribuir ativamente com idéias para tornar sua empresa diferente e melhor. Todas as oportunidades para se tornar mais competitiva devem ser exploradas, e elas estão em todos os setores da empresa.

Pode-se dizer que se tornou essencial para todos os cargos e funções ou ainda é um diferencial para algumas?

Evidente há diferenças, mas a criatividade se tornou essencial para todos os cargos e funções. A procura de originalidade e inovação não está restrita à criação de novos produtos. Ela se estende à inovação dos métodos de produção (produtividade, qualidade e custos), dos métodos de distribuição e na experiência do cliente com os produtos e serviços da empresa. Isto envolve todos, especialmente aqueles que estão na linha de frente da produção e no relacionamento com os clientes.

Há ainda empresas que preferem o profissional mais convencional? Ou seja, que evitam muitas inovações?

Sim. Os patrões autocráticos e os gerentes inseguros sempre preferem conviver com a mediocridade. Eles vêem como ameaça à sua autoridade toda e qualquer idéia que não sejam as próprias, mesmo que levem a obsolescência de seus produtos e serviços.

Com o que o profissional deve tomar cuidado ao expor suas idéias?

Ele deve evitar a atitude de pensar que, por sua idéia ser boa, ela será automaticamente aceita como tal.  Há pessoas com visões e interesses diferentes, que não podem ser ignoradas. Antes de apresentar sua idéia, ele deve sondar o terreno e se preparar para responder com firmeza aos questionamentos. Deve também identificar os possíveis aliados que possam apoiá-lo.

Como proceder em casos onde a empresa tem uma política de aceitação da criatividade, mas o chefe direto barra todas as idéias do profissional?

Não tenho uma resposta genérica para esta pergunta, pois a solução depende muito da cultura da empresa e das personalidades envolvidas. Em alguns casos, a solução pode ser expor informalmente suas idéias a uma pessoa que tenha influência sobre este chefe. No mundo corporativo, não basta ser brilhante e genial, tem de ser também um hábil diplomata, ter um bom jogo de cintura.

Em sua experiência profissional, já teve sua criatividade freada?

Até onde me lembro, posso dizer que não. Como engenheiro, executivo ou consultor, sempre tive muita liberdade para pensar e propor inovações. Isto não quer dizer que todas as minhas idéias tenham sido implementadas sem ajustes.  Há sempre que considerar também os aspectos políticos, econômicos e de mercado. Aprendi que a idéia realmente boa é aquela que chega no momento certo. O senso de oportunidade é o grande pulo do gato. A flexibilidade para se ajustar às limitações de recursos é outro ponto importante para a aceitação de suas idéias. Nem sempre é possível dar um único grande salto; muitas vezes, o caminho para o futuro é feito passo a passo. O importante é não ficar parado.

Por que um engenheiro decide montar um portal sobre criatividade?

Minha vida profissional me levou a isto. Tanto como engenheiro ou como executivo e consultor, sempre fui chamado a participar de importantes projetos de mudança organizacional e na solução de problemas complexos. Criatividade e inovação têm sido duas constantes no meu trabalho. Criei o portal Criatividade e Inovação como um meio para intercâmbio de experiências e também para divulgação de meus serviços de consultoria e treinamentos.

Ao gerenciar pessoas, é fácil lidar com as idéias dos funcionários? Você, como superior, já teve que barrar muitas idéias?

Sem uma orientação, a criatividade pode se tornar um desperdício de tempo e energia. Há o caso clássico de uma empresa fabricante de aparelhos elétricos e material eletrônico que lançou um programa de criatividade em escala mundial. Por falta de uma orientação estratégica, ela se surpreendeu com idéias que nada tinham a ver com sua linha de produção. Uma de suas equipes mais caras estava há meses trabalhando no projeto de uma bicicleta revolucionária. A lição: para tirar proveito da criatividade de seus funcionários defina claramente quais os problemas você quer resolver, estabeleça objetivos e prioridades.

Por que há a sensação de que as pessoas estão cada vez mais acomodadas em suas idéias? Mesmo com tantas mudanças ocorrendo no mundo?

Uma das razões é as empresas não reconhecerem que, para inovar, é preciso experimentar. Experimentar envolve riscos e alguns fracassos no meio do caminho. Como muitas empresas não sabem lidar com riscos e fracassos, as pessoas ficam intimidadas, se recolhem e evitam pensar. Elas sabem que, neste tipo de empresa, o reconhecimento do sucesso é passageiro, mas a pecha de fracassado é definitiva.

Afinal, como ser mais criativo? Pode indicar exercícios, cursos, leituras, etc?

Ter curiosidade, observar e questionar o que se passa em nossa volta é uma atitude essencial da pessoa criativa. As habilidades criativas podem ser desenvolvidas, pois todos nós, de alguma forma, somos criativos. Uns são criativos nas artes, outros na engenharia, nos esportes, na dança, etc. Um passo importante é o conhecimento dos nossos talentos. É na exploração destes talentos que podemos aplicar e desenvolver nossa criatividade.

Há poucos livros atualizados sobre criatividade publicados em português. Para quem lê em inglês recomendo os livros de James L. Adams, Teresa M. Amabile e Michael Michalko. No Índice de Artigos do site Criatividade e Inovação você encontra mais de 50 artigos sobre o tema, bem como alguns exercícios e testes.

Livros Criatividade

Artigos relacionados:

Criatividade e inovação na pequena empresa

Como líderes inovadores tratam as idéias criativas

Os 9 princípios de inovação do Google

Inovação: As lições do Firefox

As lições da Pixar sobre a criatividade coletiva

Para uma lista completa, consulte Índice de Artigos

Escreva seu comentário

{ 2 comentários… leia-os abaixo ou escreva o seu }

Cachorro sozinho o dia todo julho 9, 2016 às 01:20

Acho que falta mais educação direcionada para que a população tenha mais criatividade. Em alguns países esse é um tipo de ensinamento que crianças têm desde cedo no colégio, e é principalmente encorajado nas universidades. Mas o Brasil tem esse pensamento “funcionário público” que impede que as pessoas tenham interesse em sair da própria caixinha.

Responder

Artmix janeiro 18, 2013 às 14:05

Excelente post, parabéns!
Uma entrevista como essa é capaz de tirar todas as dúvidas acerca da criatividade, sendo em diz respeito a um funcionário ou ao patrão. Ver os dois lados da moeda nos permite ser justos ao analisar e formular nossas conclusões. Além, é claro, de nos deixar por dentro do assunto, entendendo o conceito de criatividade, sua importância em um negócio/emprego/relação profissional – o que é, sem dúvida, essencial!

Responder

Artigo anterior:

Artigo seguinte: