Como as ideias surgem?

por Jairo Siqueira · 4 comentários

em Criatividade, Técnicas e Ferramentas

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Nos filmes e nos livros de ficção, as ideias criativas parecem surgir de repente e do nada, frutos de um momento misterioso e inexplicável, ou de um feliz acidente. Algumas ideias surgem de são frutos do acaso, mas esta não é a regra. Thomas Alva Edison, um dos maiores inventores de todos os tempos, tinha uma visão totalmente diferente do processo criativo: O gênio é 99% transpiração e 1% inspiração. Eu nunca criei algo de valor acidentalmente, nem fiz nenhuma de minhas invenções por acidente. Elas surgiram do trabalho. Pablo Picasso também tinha idêntica opinião: A inspiração existe, mas ela deve encontrá-lo trabalhando.

No livro A Techique for Producing Ideas (Editora McGraw-Hill), James Webb Young, publicitário, conclui que a produção de ideias é um processo de produção similar a uma linha de montagem, seguindo uma técnica operativa que pode ser aprendida e aperfeiçoada pela prática. Ele acredita que esta técnica é tão simples que poucas pessoas a percebem e acreditam nela. No entanto, alerta que, apesar de simples, esta técnica requer um trabalho intelectual muito árduo, e que poucos aceitam usá-la.

 A técnica preconizada por James Webb Young se fundamenta na combinação de Princípios e Método.

 Combinação e conexão: as fontes de ideias inovadoras

 Dois princípios se destacam na geração de ideias. O primeiro nos diz que uma ideia é nada mais e nem menos que a combinação de elementos já existentes. Em consequência, o segundo princípio importante é que a capacidade de trazer elementos velhos para novas combinações depende largamente de nossa habilidade de ver relações.

 Estes dois princípios esclarecem as grandes diferenças entre mentes criativas e não criativas. As mentes não criativas veem cada fato como uma porção isolada de conhecimento. As criativas veem cada fato como um link numa cadeia de conhecimento; os fatos têm conexões e similaridades. As ideias inovadoras nascem da percepção e exploração destas conexões e similaridades. Algumas ilustrações muito atuais das aplicações destes princípios são as combinações entre a TV, a telefonia, o computador e a internet. Outras são as aplicações da nanotecnologia na medicina, na indústria, na lavoura e outros setores.

 O hábito mental que nos conduz à procura de conexões entre fatos aparece como um hábito de mais elevada importância na produção de ideias.

 A arte de produzir ideias

 Com estes dois princípios na mente – o princípio de que uma ideia é uma nova combinação, e o princípio que a habilidade de fazer novas combinações é fortalecido pela habilidade de ver relações – vamos ver agora o método que nos ajuda a colocar em prática estes dois princípios.

 A técnica de produção de ideias segue seis passos numa sequência bem definida. Individualmente, estes seis passos são bastante conhecidos, mas o ponto importante é o reconhecimento de suas relações e do fato que nossa mente segue estes seis passos, mesmo que às vezes não estejamos conscientes do processo.

Nota: o método de James W. Young consiste de cinco passos, correspondentes aos passos 2 a 6 descritos a seguir. O passo 1 é um acréscimo que faço, por considerar fundamental a clara definição do problema a ser solucionado ou da oportunidade a ser explorada, especialmente nos trabalhos em equipe.

 Os seis passos do método de produção de ideias:

 Passo 1: Formulação do desafio

Uma boa formulação do desafio deve perguntar o que fazer para se obter a solução de uma situação indesejada ou para converter uma oportunidade em um benefício ou vantagem. O desafio deve ser colocado de uma forma que desafie e estimule a nossa imaginação e nossas habilidades criativas e nos leve a explorar novas perspectivas, combinações e conexões. Algumas boas formas de iniciar a formulação de desafios: Como podemos …?; De que maneira podemos …?; E se …?

 Passo 2: Obtenção de matéria prima

Procura de matérias primas (fatos, dados, informações, etc.), tanto as relacionadas diretamente ao problema a ser solucionado, como aquelas que enriquecem seu estoque de conhecimento, sua cultura geral. A permanente curiosidade sobre o que acontece à nossa volta e fora de nosso campo de trabalho pode resultar numa valiosa fonte de ideias. Muitas ideias criativas resultam do cruzamento e combinação de conhecimentos específicos com conhecimentos gerais.

 Passo 3: Processar a matéria prima

Deixar sua mente trabalhar sobre a matéria prima obtida. Esta é uma etapa demorada e difícil de ser descrita em termos concretos, pois se passa integralmente dentro de sua mente. Consiste no exame cuidadoso do material coletado, no sentido de tentar entender o significado de cada elemento e identificar diferenças, semelhanças, relações e outras conclusões que podem ser obtidas do conjunto.

 Passo 4: Incubação

Neste estágio, sem nenhum esforço direto ou pressão, deixe sua mente digerir o resultado da etapa anterior e trabalhar na síntese do conhecimento obtido. Boa parte desta etapa pode se passar no nível do inconsciente. Dedique seu tempo a atividades que estimulem sua imaginação e emoções, como ouvir música, ir ao teatro ou cinema, ler, andar, dançar, pescar e outras atividades relaxantes.

 Passo 5: Nascimento da ideia

Este é o momento em que a ideia surge, não como um passe de mágica, mas como o resultado do trabalho realizado nas etapas anteriores. Muitas ideias podem surgir, e é importante que este fluxo de ideias não seja prematuramente interrompido. Receba as ideias como elas chegam, sem julgamentos apressados. Agindo assim, estará pondo em prática o terceiro importante princípio criativo: separe o momento de geração do momento de julgamento das ideias. Não pise no freio ao mesmo tempo em que pressiona o acelerador. 

 Passo 6: Seleção e desenvolvimento de ideias

Terminada a geração de ideias, chega o momento de avaliá-las segundo os critérios apropriados de viabilidade, praticidade, utilidade, economia, e identificar as mais promissoras. Considere sempre que nenhuma ideia nasce perfeita e acabada. A semente de toda inovação é uma ideia altamente especulativa e inacabada, que precisa ser trabalhada par se tornar viável e prática. Pela sua própria natureza, quanto mais ambiciosa a ideia, mais frágil ela se apresentará, mais falhas terão que ser corrigidas.

 Este é o método de produção de ideias, simples mas requer um árduo trabalho intelectual. Você deve conhecer algumas pessoas cujas ideias surgem de repente, como uma faísca, sem passarem por este processo disciplinado. Se você, como a maioria de nós, não é umas dessas pessoas, a prática deste método pode ajudá-lo a desenvolver suas habilidades criativas, a explorar novas combinações e conexões e expandir a sua capacidade de geração de ideias inovadoras.

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antonio março 17, 2015 às 12:24

Gosto muito desse site, pois ajuda nos muito…..

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acrizio maio 30, 2013 às 20:32

Mente – não tendo opiniões formada, mas me incomoda, a ideia ou as ideias não dão segurança, pois achamos e não achamos e não temos a credibilidade de consolidadar os mesmos. Sabendo que em processo ou transformações nossos juizos de valores se perdem do tempo e no espaço. Por isso vejo que ao permanecer enquanto juizo de valor em uma determinada ideia corremos o risco de decepcioná-lo. Pois achamos que é e não é. Afinal o que é e o que não é? As ideias parecem que são nebulosas, ou há idéias enganadoras com intuito de tirar proveito? Acrizio

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ELOIR ROSA RAMOS outubro 31, 2012 às 21:38

Muito bom, são técnicas interessantes gostaria de continuar recebendo matérias, pois são conhecimentos práticos de longos estudos….!!!!

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Jairo Siqueira novembro 1, 2012 às 12:54

Eloir, você pode cadastrar seu email para receber todo artigo novo publicado. Vá ao final de qualquer artigo publicado no site e você verá o campo para inscrição de seu email.

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