Pensamentos convergente e divergente: o yin-yang da criatividade

by Jairo Siqueira · 2 comments

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O yin-yang são dois conceitos do taoísmo que expõem a dualidade de tudo o que existe no universo. Descrevem as duas forças fundamentais opostas e complementares, que se encontram em todas as coisas. No reino do pensamento, Yin é a mente intuitiva, criativa e complexa, ao passo que Yang é o intelecto, racional e claro.

O processo criativo é formado por dois tipos distintos de pensamento que se complementam: o pensamento divergente, o yin, e o pensamento convergente, o yang. O pensamento divergente tem o propósito de criar opções, abrir e explorar novos caminhos e gerar uma grande quantidade e diversidade de ideias. O pensamento convergente tem o propósito de avaliar e selecionar as ideias ou conceitos mais promissores.

O sucesso de uma sessão de criatividade, seja usando o Brainstorming ou qualquer outra ferramenta de criatividade, está fortemente condicionado à separação rigorosa da fase de geração de ideias da fase de julgamento e seleção das ideias geradas, de tal modo que se complementem, mas cada uma agindo no seu devido momento.

Pensamento divergente: a criação de opções

Nesta primeira fase do pensamento criativo, procura-se obter um firme e sincero engajamento da equipe pela criação de um ambiente em que as pessoas se sintam seguras e confortáveis em explorar novas perspectivas, questionar as práticas e normas vigentes e expressar livremente suas opiniões. O objetivo é obter uma grande quantidade e diversidade de ideias e criar uma variedade de opções para a fase seguinte.

Há seis diretrizes gerais para fomentar e sustentar o pensamento divergente:

  1. Apresentar o desafio ou problema sob a forma de uma pergunta desafiadora que incite o grupo a pensar “fora da caixa”.
  2. Adiar o julgamento, não permitindo tanto as críticas quanto os elogios.
  3. Encorajar a quantidade e diversidade, anotando cada ideia apresentada.
  4. Apoiar o inusitado, batalhando pelo incomum e estranho e encorajando diferentes perspectivas.
  5. Procurar por combinações de ideias que podem operar juntas.
  6. Construir novas ideias a partir de ideias apresentadas (sem críticas).

Pensamento convergente: fazendo as escolhas

O pensamento convergente é uma forma prática de decidir entre as alternativas existentes. É o momento de analisar criticamente e julgar as ideias geradas na etapa do pensamento divergente e selecionar as melhores ideias com base em critérios previamente definidos.

No entanto, esta fase não se resume simplesmente em passar as ideias por um filtro até que reste uma única ideia. As boas ideias não saem da fase anterior perfeitas e acabadas. A semente de toda inovação é uma ideia altamente especulativa, e inacabada, que precisa ser trabalhada par se tornar viável e prática. Pela sua própria natureza, quanto mais ambiciosa a ideia, mais frágil ela se apresentará, mais falhas terão que ser corrigidas. Nem mesmo as ideias consideradas absurdas devem ser simplesmente descartadas. Elas podem revelar conceitos valiosos que servirão de ponte para ideias mais práticas. Recomendo a leitura do artigo Como Selecionar suas melhores ideias.

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Rafael Paiva setembro 17, 2014 às 20:53

Jairo, parabéns pela explicação clara e interessante sobre o tema. Muitas pessoas acreditam que são totalmente racionais, enquanto que outras se imaginam puramente criativas. A pessoa ganha ao equilibrar essas duas forças e, provocar cada uma em momentos diferentes, só traz benefícios.

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Jairo Siqueira setembro 18, 2014 às 08:04

Rafael, obrigado pelos seus comentários. Creio que você gostará também do artigo Criatividade e Intuição publicado há mais tempo.

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